COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DOS VINHOS

11/11/2011

No centro das explicações de como o vinho tem propriedades capazes de prevenir doenças, estão os flavonóides,substâncias que podem influenciar muitos fatores que participam na formação e na evolução da placa arteriosclerótica.Estudos epidemiológicos e experimentais apontam para o efeito do vinho na diminuição da arteriosclerose, e o mecanismo envolvido foi recentemente descoberto.

Os flavonoides presentes no vinho tinto podem diminuir a produção de ET-1, um poderoso vasoconstritor endógeno, bem como aumentar a secreção de óxido-nítrico, de efeito vasodilatador, pelas células endoteliais.Um segundo tipo de evidência, obtida em uma série de estudos in vitro e in vivo, mostra que os componentes polifenólicos do vinho tinto, somados ao álcool, poderiam ativamente impedir tanto o início quanto a progressão da arteriosclerose.As substâncias polifenólicas do vinho geralmente são divididas em dois grupos, os flavonóides e os não flavonóides.

Os flavonóides presentes no vinho tinto e no suco de uva, promovem dilatação endotelial.Os fenóis do vinho tinto bloqueiam a produção da endotelina(ET-1)um potente vasoconstritor que induz a proliferação de células musculares lisas cuja produção é fator chave no desenvolvimento da doença vascular aterosclerótica.

Já a atividade antioxidante dos flavonóides se dá pelo aumento da resistência da oxidação do LDL(colesterol ruim), que é tóxica para as células endoteliais e tem papel importante no desenvolvimento das placas arterioscleróticas.

Os flavonóides abundantes no vinho tinto e no suco de uva são a quercetina e a catecina.
Além de ser um potente antioxidante, a quercetina induz relaxamento do anel aórtico in vitro.A catecina está presente não somente no vinho tinto, mas também nos vegetais, frutas, chás e chocolates, com destaque importante na ação antioxidante.

Assim, o consumo de grande quantidade de catecina pode justificar de modo resumido, o efeito protetor de uma dieta rica em frutas, vegetais e vinho tinto.


Fonte-Revista Scientific American, Mente e cérebro, Edição Especial n*29.
Autor-Leonardo Caixeta, Doutor em neurologia e psiquiatria pela USP e professor de neuro-ciências da Universidade Federal de Goiás.