DORMIR BEM E COMER COM QUALIDADE

31/07/2012

Dormir pouco altera a taxa de glicemia,esta reação foi demonstrada pela equipe de Eve Van Cauter.Os pesquisadores pediram a alguns rapazes que dormissem apenas quatro horas por seis noites seguidas e nas seis noites sucessivas podiam ficar na cama por até 12 horas.No quinto dia de cada período foi realizado um teste no qual os participantes receberam uma solução açucarada.

Após o aumento considerável da concentração de glicose no sangue, os níveis voltaram a diminuir pouco a pouco.Mas os pesquisadores perceberam que os valores de glicemia desciam mais lentamente depois de noites “breves” em comparação aos das pessoas que tinham dormido.O motivo disto esta relacionado ao fato do organismo produzir menos insulina, hormônio que tem a tarefa de concentrar no figado, nos músculos e nos tecidos adiposos a glicose presente no sangue.Alem disto, as células não reagiam mais com a mesma sensibilidade ao neurotransmissor, a chamada“sensibilidade insulinica"caía dramaticamente, estabilizando-se em um nível que os médicos verificam, normalmente nos pacientes com alterações do metabolismo.

O fato do sono repousante influir na glicemia já havia sido demonstrado em um estudo realizado nos Estados Unidos, o Nurses Health Study, no qual foram examinadas, em um período de 30 anos e a intervalos regulares, cerca de 70mil enfermeiras.A diminuição da quantidade e da qualidade das horas de sono aumentava o risco de ficarem doentes e de tornarem diabéticas.Essa possibilidade aumentava em mais de 50% entre profissionais com menos de cinco horas de sono, em comparação às que dormiam mais de oito.

Para o equilíbrio energético do organismo o elemento decisivo é a qualidade do sono.Durante a fase profunda,que se instaura principalmente nas primeiras horas da noite, o organismo produz muitos hormônios que agem sobre o metabolismo dos carboidratos, e em 2008 o grupo de Eve Van Cauter afirmou que a alteração do sono pode desorganizar o mecanismo de controle dos carboidratos no sangue.O organismo extrai substâncias nutrivivas dos alimentos e “estoca” reservas; quando há algum desequilíbrio nesse processo, ocorre uma “estagnação” que pode provocar sobrepeso.

Os principais fatores de risco que podem comprometer o equilíbrio orgânico são a redução e a alteração da fase do sono profundo, visto que neste período o organismo se esforça para garantir o máximo de fornecimento de energia para determinadas regiões cerebrais.Talvez seja esse o motivo pelo qual insônia crônica e excesso de peso são condições clinicas que tendem a se apresentar juntas.Todos estes estudos nos levam a acreditar que cada vez mais, as recomendações de dormir bem estarão ao lado dos outros conselhos já estabelecidos nos manuais de dieta.

Fonte-Revista Scientific American-Mente e Cérebro,
Ano-XIX,n*235-2012.