FITOESTERÓIS E SAÚDE CARDIOVASCULAR

03/09/2013


As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morbidade e mortalidade no mundo ocidental, inclusive no Brasil2. Dados do Ministério da Saúde indicam que 30% das mortes são causadas por DCV, atingindo a população adulta em plena fase produtiva, entre 20 e 59 anos de idade3. Os números tornam-se ainda mais expressivos ao considerar a população idosa, na qual aproximadamente 40 % dos óbitos têm como causa a cardiopatia isquêmica3.

Dentre as DCV, destacam-se as doenças cerebrovasculares e as doenças isquêmicas do coração. Em 2006, essas duas doenças representaram, respectivamente, 32 e 30% dos óbitos por DCV no Brasil2. Embora as DCV tenham etiologia multifatorial, tem se observado que a redução dos níveis de colesterol sanguíneo5-17 e a redução da pressão sanguínea (PS)18 representam uma intervenção eficaz para redução de eventos coronarianos, pois é considerado como um dos principais fatores de risco. Apenas para estes dois marcadores, reconhecidamente modificáveis pela dieta, existe consenso na comunidade científica: um alimento que os altere positivamente poderá, eventualmente, atribuir-se uma alegação de saúde ou de redução de risco de doença cardiovascular19.

O Ministério da Saúde vem adotando varias estratégias e ações para reduzir o ônus das doenças cardiovasculares na população brasileira como as medidas anti-tabagicas, as políticas de alimentação e nutrição e de promoção da saúde com ênfase na escola. Há ainda, ações de atenção à hipertensão e ao diabetes com garantia de medicamentos básicos na rede e, aliado a isso, a capacitação de profissionais da saúde20.

No que diz respeito a alimentação na prevenção primária, o fitoesterol4 figura como importante candidato para a redução do colesterol LDL (LDL-C)17. A IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia aconselha o consumo de 2g por dia de fitoesteróis para a redução de 10 a 15% nos níveis de LDL-C17. Acredita-se que a cada 1% de colesterol reduzido, diminui-se em 3% o risco de doenças cardiovasculares.

O mecanismo de ação do fitoesterol na diminuição da colesterolemia deve-se à sua semelhança estrutural com o colesterol, o que ocasiona uma competição na absorção intestinal entre ésteres de esterol e/ou estanol e o colesterol.

Alimentos fortificados com fitoesterol já têm eficiência reconhecida por órgãos de saúde pública dos Estados Unidos, do Brasil, do Chile, da Colômbia, da União Européia e do Canadá. O FDA (Food and Drug Administration), órgão que controla e fiscaliza os alimentos e remédios nos Estados Unidos, autoriza que produtos como os cremes vegetais, bebidas lácteas, molhos para saladas, maioneses e cereais para adultos sejam enriquecidos com a substância durante o processo de fabricação.

Uma alimentação balanceada com quantidades adequadas de vegetais fornece aproximadamente 200 a 400 g por dia de fitoesteróis17. No entanto, essa quantidade não é suficiente para ter o benefício de redução de colesterol. Assim, o consumo diário de alimentos com fitoesteróis, como por exemplo multivitamínicos com fitoesteróis, pode representar uma importante alternativa para atingir 2g de fitoesteróis e reduzir o risco de eventos cardiovasculares.


1. Os fitoesteróis auxiliam na redução da absorção do colesterol. Seu cosumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis. 2. Brasil, Ministério da Saúde, Secretaria Executiva. DATASUS. Informações de saúde. Morbidade e informações epidemiológicas. Disponível em: www2.datasus.gov.br/DATASUS. 3. Godoy MF, Lucena JM, Miquelin AR, Paiv FF, Oliveira DLQ, Augustin Junior JL, et al. Mortalidade por doenças cardiovasculares e níveis socioeconômicos na população de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil. Arq Bras Cardiol. 2007;88(2):200–6.4. MENDONÇA, T.T., ITO, R.E., BARTHOLOMEU, T.,TINUCCI, T., FORJAZ, C.L.M. Risco cardiovascular, aptidão física e prática de atividade física de idosos de um parque de São Paulo. R. bras. Ci.e Mov. 2004; 12(3): 57-62 5. Vanhanen HT et al. Serum cholesterol, cholesterol precursors and plant sterols in hyper¬cholesterolemic subjects with different apoE phenotypes during dietary sitostanol ester treatment. J. Lipid. Res. 1993;34(9):1535-44. 6. Gylling H et al. Serum cholesterol and cholesterol and lipoproteins metabolism in hypercholesterolaemic NIDDM patients before and during sitostanol ester-margarine treatment. Diabetologia 1994; 37 (8): 773-80. 7. Miettinen TA. Reduction of serum cholesterol with sitostanol-ester margarine in a midly hypercholesterolemic population. N. Engl. J. Med. 1995;333(20):1308-12. 8. Andersson A. Cholesterol-lowering effect of a stanol ester-containing low-fat margarine used in conjuction with a strict lipid-lowering diet. Eur. Heart J. 1999;1(Suppl S):S80-S90. 9. Jones PJ et al. Modulation of plasma lipid levels and cholesterol kinetics by phytosterols versus phytostanol esters. J.Lipid Res. 2004;41(5):697-705. 10. Nestel P et al. Cholesterol-lowering effects of plant sterols esters and non-esterified stanols in margarine, butter and low-fat foods. Eur.J Clin. Nutr. 2001;55(12):1084-90. 11. Mensik RP et al. Effects of plant stanols esters supplied in low-fat yogurt on serum lipids and lipoproteins, non-cholesterol sterols and fat soluble antioxidant concentrations. 12. Noakes M et al. An increase in dietary carotenoids when consuming plant sterols or stanols in effective in maintaining plasma carotenoids concentrations. Am.J.Clin.Nutr.2002; 75(1):79-86. 13. Temme EH et al. Effects of a plant sterol enriched spread on serum lipids and lipoproteins in midly hypercholesterolaemic subjects. Acta Cardiol. 2002; 57(2):111-5. 14. Cleghorn CL et al. Plant sterols-enriched spreads enhances the cholesterol-lowering potential of a fat reduced diet. Eur.J.Clin. Nutri.2003; 57 (1):170-6. 15. Volpe R et al. Effects of yogurt enriched with plant sterol on serum lipids in patient with moderate hypercholesterolaemia. Br.J.Nutr. 2001; 86(2):233-9. 16. Mensink RP et al. Effects of plant stanols esters supplied in low-fat yogurt on serum lipids andlipoproteins, non-cholesterol sterols and fat soluble antioxidant concentrations. Atherosclerosis 2002; 160.17. IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arq. Bras. Cardiol. vol.88 suppl.1 São Paulo Apr. 2007 18. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Hipertensão. Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol. 2010; 95(1 Suppl 1): 1-51. 19. Mensink RP, Aro A, Hond ED, German JB, Griffin BA, Ter Meer HU, Mutanen M, Pannemans D, Stahl W. PASSCLAIM - Diet-related cardiovascular disease. European Journal of Nutrition 2003;42:6-27. 20. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de Atenção Básica -N14 , Prevenção de Doenças Cardiovasculares, cerebrovasculares e Renal crônica. Brasilia – DF, 2006.